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SuperBike Brasil posterga 5ª etapa para 1º de setembro em Curitiba

No dia 29 de maio de 2019, a Secretaria Municipal de Turismo expediu notificação expressa na Carta 03/2019 – SMTUR – DAUTO, referente à suspensão das atividades de motovelocidade no Autódromo de Interlagos.

Desde então, a Organização do SuperBike Brasil orquestrou uma estruturada força-tarefa para analisar em profundidade a questão de segurança das corridas e propôs ações concretas e eficientes em todas as frentes nas quais a segurança pudesse ser aprimorada, movida pela constante preocupação e empenho que sempre teve em relação a esse tema.

Em 26 de abril de 2019, foi criada a Comissão de Segurança da Motovelocidade (CSM), formada pela diretoria do campeonato: Bruno Corano, Mário Tamburro Filho, Ennison Biecha Júnior, Paulo Gouvêa e Dr. Flávio do Valle e por notáveis representantes do motociclismo esportivo, tais como:

Alexandre Barros, Cesar Barros, Décio Fantozzi e Leonardo Tamburro, além de um amplo grupo de consultores especializados, entre eles engenheiros, psicólogos e profissionais do setor.

Essa Comissão trabalhou arduamente, com visitas técnicas ao autódromo, perícias técnicas e exaustivas reuniões, que culminaram na elaboração de um documento de revisão das regras e procedimentos de segurança do SuperBike Brasil.

Como benchmarking, a força-tarefa analisou os regulamentos desenvolvidos pela Federação Internacional de Motociclismo (FIM), órgão máximo do motociclismo esportivo, sobretudo as regras inerentes ao Campeonato Mundial de Superbike, referência de robustez técnica na motovelocidade em nível mundial. Mas foi além, pois buscou referências e suporte de profissionais de outros setores em que a segurança é vista sob uma ótica extremamente rígida, como a aviação comercial, tida como a indústria mais avançada e madura em termos de segurança, onde colheu informações e modelos de alto impacto para aplicar no SBK Brasil.

Todas as áreas com potencial de melhoria que estão sob o domínio e responsabilidade da Organização do SBK Brasil foram minuciosamente estudadas, na busca do melhor cenário possível para a segurança do evento.

As ações que estarão sendo implementadas no SBK Brasil abrangem diversos temas, como:

  • Critérios de elegibilidade dos pilotos por categoria;
  • Concessão de licença em diferentes níveis (A, B, C e Superlicença);
  • Critérios para concessão de licença (Cursos de pilotagem, exames teóricos e práticos);
  • Critérios rígidos para equipamentos de segurança;
  • Exame de bafômetro (em todos os pilotos e mecânicos) e antidoping (amostral);
  • Atestado médico amplo e rigoroso;
  • Exame clínico em todos os pilotos, em todas as etapas;
  • Aprimoramento do procedimento de Medical Car;
  • Avaliação e acompanhamento psicológico para todos os pilotos;
  • Grade obrigatória de Treinamento, palestras sobre condicionamento, nutrição etc.;
  • Curso para credenciamento de mecânicos em parceria com SENAI;
  • Aprimoramento das vistorias de equipamentos, motos e boxes, com registro fotográfico;
  • Detalhamento minucioso do tipo e local de colocação de barreiras de proteção em todos os autódromos onde o SuperBike Brasil realiza corridas;
  • Auditoria externa de todas as atividades propostas, garantindo execução plena.

Várias dessas medidas já foram implantadas na 4ª etapa em Goiânia, e as demais serão implementadas nas próximas etapas de 2019, seguindo um cronograma pré-estabelecido.

E para dar ainda maior consistência ao Campeonato, o SuperBike Brasil firmou importante parceria com a CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo), passando a ter a homologação dessa representativa entidade, a qual se uniu ao processo para contribuir no fomento e desenvolvimento do esporte e da segurança, colocando toda sua estrutura e conexões internacionais em favor do SBK Brasil.

Essas mudanças todas colocam o SuperBike Brasil entre os campeonatos com maior rigor nas regras de segurança do mundo. Mais que isso, pioneiro em muitas medidas, podendo ser destacado os exames psicológicos/psicotécnicos nos pilotos, prática comum na aviação, mas jamais realizado em pilotos de motovelocidade. Para tanto, todas as ações e medidas estão exigindo da Organização investimento da ordem de R$ 1,8 milhão ao longo dos próximos 10 meses.

Com esse plano robusto, em 11 de julho, o SuperBike Brasil encaminhou à Secretaria de Turismo do Município de São Paulo, gestora do Autódromo de Interlagos, todas as melhorias e mudanças obtidas após os estudos e trabalhos realizados.

Tudo refletido através de inúmeros documentos, podendo ser destacado;

  • Atas de constituição, reuniões e deliberações da Comissão de Segurança da Motovelocidade;
  • Ato de homologação e reconhecimento da CBM ao SBK Brasil;
  • Caderno de Revisão de Segurança da Motovelocidade Nacional com 16 novas práticas e regras;
  • Matriz de segurança estudada;
  • Homologação técnica detalhada do Autódromo de Interlagos pela CBM, pertencente ao sistema FIM, homologação esta com a descrição técnica detalhada das condições de uso, e necessidades de uso de dispositivos complementares de segurança.

Com base nisso, foi solicitada a revogação da suspensão do uso do autódromo para as competições de motovelocidade.

As tratativas com os responsáveis sempre denotavam que a suspensão seria revogada a partir desse inédito plano de ação. Foram várias reuniões e todas as solicitações das entidades e autoridades responsáveis pela revogação da suspensão foram totalmente atendidas. Dessa forma, decidimos manter a realização da 5ª etapa para a data de 18 de agosto no Autódromo de Interlagos. Lembrando que em última análise o SBK detém um contrato com o Autódromo, e a suspensão para a realização da corrida foi emitido por 60 dias, prazo esse já vencido, e jamais estendido.

Todos compromissos assumidos foram mantidos, tais como pagamento à RedeTV, comunicação aos pilotos, planejamento de ações com patrocinadores, propaganda e publicidade, entre outros.

Até a vinda do diretor de provas da MotoGP Nicolás Tortone foi concretizada. Nicolás é membro oficial do time de diretores da FIM e atual Diretor de Prova da etapa da MotoGP de Termas de Rio Hondo, na Argentina, função que ocupa desde 2014. Estará trabalhando junto com a atual equipe de direção de prova, agregando enorme valor em função de sua competência, experiência e espírito de equipe.

Para dar a robustez documental necessária, a FIM e a CBM emitiram todos os documentos e recomendações para a revogação da suspensão, e, tudo isso posto, jamais imaginávamos que não seria revertida a suspensão no prazo que estava alinhado com os envolvidos. Para surpresa da Organização do SuperBike Brasil, a suspensão não foi revertida no prazo esperado. Sendo que até o momento não há posicionamento oficial, nem a negativa nem a liberação. A falta de informação até o dia de hoje inviabiliza a realização da 5ª etapa no Autódromo de Interlagos.

Diante disso, o SuperBike Brasil posterga a 5ª etapa para o dia 1º de setembro, com início dos treinos no dia 30 de agosto, transferindo-a para o Autódromo de Curitiba. E seguirá normalmente com seu calendário, confirmando as demais etapas para: 22 de setembro em Goiânia, 20 de outubro em Goiânia, 10 de novembro em Curitiba e 08 de dezembro de volta ao Autódromo de Interlagos, em São Paulo.

O SuperBike Brasil, junto com a CBM, segue trabalhando para agilizar a liberação do Autódromo de Interlagos, o que esperamos que ocorra em breve, e implementando todas as ações programadas na busca da melhoria contínua das regras e procedimentos de segurança.

O SuperBike Brasil conta com o entendimento e apoio de todos os envolvidos com o maior campeonato de motovelocidade das Américas.

Bruno Corano
Organizador do SuperBike Brasil