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Uma grande perda

Pra quem não sabe, a motovelocidade é uma grande família, e há poucos dias perdemos um de nossos mais queridos amigos, parceiros, entusiastas, e apaixonados por ela.

Embora os pilotos tenham muito mais destaque e visibilidade, na verdade eles são em infinito menor número que os tantos outros envolvidos nesse mundo das corridas. Arrisco dizer que os pilotos representam menos de 1/10 de todas as pessoas que vivem e se dedicam para esse grande circo acontecer. Afinal são mecânicos, preparadores, médicos, equipes de sinalização, resgate, alimentação, limpeza, entre tantas outros.

Em maior número, e com importância determinante estão os preparadores, mecânicos, e chefes de equipe. São eles que na verdade montam, cuidam, ajustam, e dão manutenção as maquinas/motos. São eles que gerem e coordenam toda a estrutura de box e bastidores para um piloto poder correr. Mais que isso, são eles que tem as nossas vidas na ponta dos dedos, em suas mãos. Afinal são responsáveis por tarefas diretamente vinculadas a segurança do equipamento e essenciais para a nossa sobrevivência.

Ou seja, um tarefa de extrema importância e altíssimo respeito.

Não escondemos que ainda estamos em processo de amadurecimento nessa área. A grande verdade é que a motovelocidade cresceu mais, e mais rápido que a capacidade de formar profissionais para amparar esse mercado.

Em como em todo segmento, esse processo de ampliação de conhecimento e formação de mais profissionais vem através da transferência de conhecimento, da referência profissional por aqueles que realmente dominam o que estão fazendo.

Essa era mais uma das características que eu classifico como generosidade que o tão conhecido por nós “Riquinho” tinha.

Foi na última noite de sexta para sábado. Pelo que me contaram, dormindo, em paz. Como não minha humilde opinião uma das formas privilegiadas por Deus para partirmos.

Riquinho foi uma dos maiores e mais importantes preparadores que o Brasil já teve. A paixão e a dedicação já vinha de família, seu pai já atuava no certame, e por aqui continuará pois seu filho nosso grande parceiro e amigo Mauro Thomassini certamente dará prosseguimento a esse legado. Inclusive pai e filho protagonizaram muitas realizações juntos dentro da pista. Um como chefe e preparador, e o outro como piloto. Muita gente nos dias de hoje não tem conhecimento do passado, mas Maurinho sempre foi piloto de ponta, com títulos nacionais na bagagem. Mais que isso, do tipo de piloto que eu respeito. Não porque é rápido. Mas porque é técnico e sabe o que esta fazendo. Anda com segurança. Respeita a si mesmo, aos outros, e nem por isso deixa de ser extremamente competitivo. Mais que isso, anda com amor, e não para se afirmar ou exibir. Tem na essência os valores do motociclismo esportivo competitivo. Acredito eu que certamente aprendidos com seu pai.

Eu nessa historia sou apenas mais um dos privilegiados que convivi muito de perto. Foram inúmeras as vezes que pedi ajuda e socorro. Afinal Riquinho foi um dos precursores da profunda compreensão da teoria da mistura ar combustível, antes pelos carburadores, hoje pela injeção eletrônica.

Inclusive foi justamente em um desses dias, junto com pai e filho em sua oficina no Brooklin em São Paulo que recebi a ligação que meu pai tinha acabado de falecer.

Respeito que cada perda tem um impacto diferente para cada um, mas o fato de eu já ter passado por isso me permite ter uma ideia de como dói e como temos que lidar com sensações muito ruins.

Mas posso dizer que, por opinião própria, que talvez a morte por essência não seja algo ruim. Não que para os que ficam a saudades não esteja lá. Mas é a lei da vida e da natureza, e talvez essa tenha sido mais uma lição para os que ficam, em especial para nosso querido amigo Maurinho.

Esse é muito mais um texto de despedida, e agradecimento ao Riquinho, uma mensagem de apoio e forca no sentido da irmandade ao meu amigo Mauro Thomassini.

Bruno Corano