Em sua primeira temporada na 300 Escola, o piloto Gustavo Salgado, que começou a competir aos 39 anos, transforma a paixão de infância em uma campanha na disputa pelo título
A paixão pelas motos acompanha Gustavo Salgado desde a infância. Durante muitos anos, porém, as limitações financeiras fizeram com que o sonho de competir permanecesse distante. Foi somente aos 28 anos que ele conseguiu conquistar sua primeira moto esportiva.
A partir daí, Gustavo passou a aprender cada vez mais sobre as motocicletas. No entanto, a vontade de competir profissionalmente só se transformou em realidade anos depois. Em 2025, aos 39 anos, ele participou de sua primeira corrida e disputou um campeonato regional na categoria 600 cc.
Ao longo daquela temporada, a evolução foi constante. Finalmente, na última etapa, Gustavo conquistou seu primeiro pódio. O resultado aumentou ainda mais a vontade de crescer no esporte e, por isso, ele decidiu encarar um novo desafio em 2026: o SuperBike Brasil.
Agora, em sua primeira temporada na 300 Escola, o piloto chega às últimas etapas na disputa pelo título da categoria.
Um novo desafio no SuperBike Brasil
A chegada ao SuperBike Brasil representou uma oportunidade de aprendizado para Gustavo. Afinal, além da importância do campeonato, ele passou a conviver com pilotos mais experientes e a conhecer uma estrutura diferente daquela que havia encontrado até então.
Por isso, seu objetivo inicial não era necessariamente disputar o campeonato. A prioridade era aprender, ganhar experiência e evoluir dentro das pistas.
“Eu não imaginava estar hoje, nas últimas etapas, disputando o título da categoria.”
Como Gustavo vinha de uma categoria de maior cilindrada, entretanto, a adaptação à 300 Escola trouxe desafios específicos. Com uma moto menos potente, ele precisou encontrar novas maneiras de extrair desempenho durante as voltas.
Assim, um dos principais pontos de trabalho passou a ser a velocidade nas curvas. Quanto mais rápido conseguisse contornar cada trecho, maior seria a possibilidade de compensar a diferença de potência nas retomadas.
“O mais desafiador para mim foi exatamente isso, conseguir ganhar mais velocidade de curva para ganhar nas retomadas e compensar a força do motor.”
De aprendizado a um sonho possível
Nas duas primeiras etapas, Gustavo ainda não pensava no título. Seu foco continuava sendo aprender e evoluir. No entanto, os resultados começaram a mostrar que a disputa pelo campeonato poderia se tornar uma possibilidade concreta.
A partir daquele momento, o título deixou de ser apenas uma ideia distante e passou a fazer parte dos objetivos do piloto.
“Nas duas primeiras etapas eu ainda não tinha essa pretensão, o objetivo era aprender e evoluir. Mas, depois disso, o título já virou um sonho.”
Além da evolução dentro da pista, Gustavo também precisou lidar com dificuldades financeiras ao longo da temporada. Mesmo assim, encontrou maneiras de continuar trabalhando em busca de desempenho.
A cada etapa, ele procura estudar a pista, identificar pontos de melhoria e encontrar alguns décimos em cada trecho.
“A cada corrida eu busco estudar a pista, melhorar em cada trecho e em cada curva. E o sonho hoje é uma possibilidade que me dá ânimo para crescer.”
Uma evolução construída etapa após etapa
Para Gustavo, cada corrida trouxe uma nova oportunidade de evolução. Desde o início da temporada, o piloto percebeu mudanças em seu desempenho e, principalmente, em sua capacidade de compreender a categoria.
Na etapa mais recente, por exemplo, ele conseguiu alcançar um tempo de volta que, segundo o próprio piloto, jamais imaginou atingir quando começou a temporada.
Ainda assim, existe um momento que ocupa um espaço especial em sua memória: a primeira pole position.
Depois de retornar da pista, Gustavo descobriu que havia conquistado uma vaga no parque fechado ao terminar entre os três primeiros colocados da classificação geral, considerando as categorias 300 cc e 400 cc. Além disso, havia sido o primeiro colocado de sua própria categoria.
“Isso não esqueço de jeito nenhum.”
Dessa forma, a campanha que começou com o objetivo de adquirir experiência ganhou novos contornos. Agora, Gustavo chega às etapas decisivas sabendo que pode disputar posições importantes e lutar pelo campeonato.
Para ele, entretanto, não existe apenas um fator responsável pela campanha.
“Acredito que o conjunto é o que me mantém na disputa: moto, pilotagem, regularidade, preparo físico, etc.”
Uma torcida que começou quando ela tinha 45 dias
Fora das pistas, Gustavo também encontrou uma motivação especial para continuar evoluindo. Desde os primeiros meses de vida, sua filha acompanha de perto a trajetória do pai nas corridas.
Ela teve sua primeira “participação” em uma etapa quando tinha apenas 45 dias de vida. Agora, com pouco mais de um ano, continua presente nos finais de semana de competição ao lado do pai e da mãe.
Para Gustavo, essa presença tem um significado que vai muito além da torcida.
“Em todas as etapas ela e minha esposa me acompanham, e isso é mais um combustível para que eu melhore a cada dia.”
Além disso, existe um desejo pessoal por trás de todo esse esforço: ser uma referência para a filha.
“Acho que o mais importante de tudo é saber que um dia ela vai estar falando e vai poder dizer com orgulho que o pai dela é um piloto dedicado.”
Por isso, cada corrida acaba ganhando também um significado familiar. Gustavo sabe que, enquanto busca seus próprios objetivos, está construindo memórias que poderão ser compartilhadas com a filha no futuro.
“Difícil não é impossível”
A família, aliás, também esteve presente em um dos momentos mais importantes da trajetória de Gustavo.
Quando conquistou seu primeiro pódio, a situação parecia especialmente difícil. Ainda assim, sua esposa encontrou uma maneira simples de incentivá-lo:
“Difícil não é impossível.”
A frase acabou acompanhando o resultado. Gustavo conseguiu alcançar o pódio e, desde então, guarda aquele momento como uma lembrança especial.
“E realmente foi isso que aconteceu.”
Hoje, a presença da família continua sendo uma fonte de motivação. Gustavo reconhece que competir exige dedicação, mas também entende que ter pessoas próximas compartilhando cada etapa torna a experiência ainda mais significativa.
“Quando se é mãe, pai, acredito que ver os filhos no dia a dia das participações não tem preço e me faz querer ser melhor.”
Um legado que começa agora
Com pouco mais de um ano de idade, a filha de Gustavo provavelmente ainda não consegue compreender completamente o que acontece durante um final de semana de corrida. Ainda assim, o piloto brinca que as fotografias vão garantir que essa fase permaneça registrada.
“Ela vai ver as fotos kkkk e quem sabe um dia ser uma piloto muito melhor que eu.”
Mais do que imaginar o futuro da filha no motociclismo, Gustavo espera que ela reconheça na trajetória do pai um exemplo de dedicação.
Afinal, sua própria história mostra que o início pode acontecer em momentos diferentes da vida. Ele começou a competir aos 39 anos e, pouco depois, chegou ao maior campeonato nacional da modalidade.
Por isso, a mensagem que deseja deixar para a filha é justamente sobre persistência e confiança nos próprios objetivos.
“Quero ser um exemplo para ela.”
Um sonho que vai além do título
Agora, Gustavo chega às etapas finais da temporada com a possibilidade de conquistar um título que, até pouco tempo atrás, parecia distante. Caso o resultado venha, será a concretização de um sonho que começou ainda na infância.
“Se terminar em título, representa a realização de uma conquista tão sonhada desde a minha infância.”
Por outro lado, o piloto também reconhece o significado da temporada independentemente da posição final no campeonato.
“Mas, se não terminar, significa também a realização de poder correr com pessoas muito boas e em um campeonato com tamanho expressividade como o SuperBike.”
Assim, a temporada de estreia no SuperBike Brasil já representa uma conquista importante para Gustavo. Ao mesmo tempo, a disputa pelo título acrescenta um novo capítulo a uma trajetória que começou relativamente tarde, mas que avançou rapidamente.
E, acima de tudo, ele espera que sua filha possa enxergar nessa história uma mensagem que vai muito além das pistas:
“Que ela veja que tudo é possível. Basta ter força de vontade e foco nos objetivos.”
Enquanto segue em busca do título da 300 Escola, Gustavo Salgado também constrói uma história para ser lembrada pela família. Afinal, sua filha esteve presente desde os primeiros meses de vida e, etapa após etapa, acompanha de perto o pai transformar uma paixão de infância em uma nova trajetória no motociclismo.




