Competindo na mesma categoria, os irmãos dividem treinos, trocam informações e protagonizam disputas na pista, enquanto o pai Daniel acompanha de perto uma trajetória marcada por parceria e competitividade
Irmãos dentro e fora da pista
Competir ao lado do próprio irmão cria uma dinâmica diferente para qualquer piloto. Na SuperSport 400, Enzo e Valentino Dematte vivem essa experiência de forma intensa: dividem treinos, trocam informações e, quando entram na pista, deixam a parceria de lado para buscar posições.
Segundo os irmãos, a rivalidade fica restrita à competição, mas não desaparece completamente após a bandeirada.
“Além da grande rivalidade dentro da pista, assim que acaba a corrida a parceria continua sempre, mas ainda sim, fica o gostinho de quem termina na frente!”
A convivência também faz com que cada corrida seja uma oportunidade de aprendizado mútuo. Para eles, competir na mesma categoria permite identificar erros, trocar experiências e buscar evolução em conjunto.
Treino em conjunto e troca de informações
Fora das corridas, a preparação dos Dematte também acontece lado a lado. Os treinos geralmente são realizados juntos, com os irmãos procurando se ajudar e, principalmente, incentivar um ao outro.
“Os treinos geralmente são juntos e sempre procuramos nos ajudar e tentar puxar um ao outro, treinar sozinho é chato!”
Na SuperSport 400, onde a disputa pelo vácuo tem papel importante, a parceria também aparece durante os treinos. Os irmãos procuram sair juntos e aproveitar o vácuo um do outro, antes de analisar o desempenho e trocar informações ao final das atividades.
Essa proximidade é apontada pelos próprios pilotos como uma das principais vantagens de competir na mesma categoria.
“Nosso privilégio é andarmos na mesma categoria, conseguimos trocar informações de erros que cometemos e onde podemos melhorar.”
Personalidades diferentes, mesma vontade de vencer
Apesar da parceria, Enzo e Valentino reconhecem que possuem estilos diferentes dentro da pista. O conhecimento que têm um do outro acaba fazendo parte da estratégia durante as disputas.
Os irmãos explicam que um deles é mais agressivo, enquanto o outro adota uma postura mais cautelosa. Por isso, conhecer o comportamento do adversário também ajuda a definir quando atacar e quando esperar.
A estratégia, segundo eles, é evitar uma disputa prematura nas primeiras voltas, tentar deixar o pelotão para trás e decidir a disputa na parte final da corrida. Depois disso, como resumem os próprios irmãos: “cada um por si”.
E a competitividade é justamente um dos elementos que tornam a experiência ainda mais especial.
Cada corrida, uma nova disputa
Quando questionados sobre uma disputa específica que tenha marcado a temporada, os irmãos preferiram não escolher apenas uma. Para eles, cada corrida traz seus próprios desafios e momentos de intensidade.
“Cada corrida tem seu desafio. Difícil lembrar qual a mais emocionante, todas têm sua disputa intensa.”
Mais do que as posições conquistadas, porém, a experiência compartilhada ao longo do motociclismo deixou aprendizados que vão além da pista.
“Além da competição, aprendemos muito sobre parceria, respeito e confiança. Um acaba incentivando o outro a evoluir, a lidar com os momentos difíceis e também a valorizar cada conquista.”
Para os Dematte, dividir essa trajetória com o irmão torna cada etapa ainda mais significativa.
“Dividir essa trajetória com meu irmão torna tudo ainda mais especial, porque temos alguém ao nosso lado que entende exatamente os desafios, uma história que vamos levar para vida toda.”
O olhar de quem acompanha tudo de perto
Se para os irmãos a competição termina com a bandeirada, para Daniel Dematte, pai dos pilotos, a experiência envolve uma mistura ainda maior de sentimentos.
Daniel também tem origem no esporte a motor, nas competições de quatro rodas, e conhece a pressão de uma disputa de alto nível. A experiência, porém, ganha outra dimensão quando os pilotos que estão na pista são seus próprios filhos.
“Mas, quando você está ali vendo seus dois filhos competindo, a história muda completamente.”
Ele destaca que Enzo e Valentino possuem características diferentes, tanto na pilotagem quanto na maneira de enfrentar os desafios. Ao mesmo tempo, os dois compartilham uma característica que torna a experiência ainda mais intensa para o pai: a competitividade.
“O mais complicado é que, mesmo sendo tão diferentes, os dois são extremamente competitivos entre si. Eles querem ganhar, querem estar na frente e não aliviam um para o outro.”
Daniel conta que, durante as corridas, tenta acompanhar a competição também com o olhar de quem conhece o esporte, mas a condição de pai acaba falando mais alto.
“Eu tento enxergar os dois como pilotos, analisar a competição e entender o que está acontecendo na pista, mas quando eles estão lado a lado, o coração de pai fala muito mais alto.”
Entre a tensão e o orgulho
A emoção chegou a ser tão intensa no início que Daniel sequer conseguia assistir diretamente às corridas.
“No começo, eu simplesmente não conseguia assistir. Preferia acompanhar de longe, sem ficar olhando diretamente para a pista, porque a tensão era muito grande.”
Hoje, ele afirma que consegue acompanhar as provas com um pouco mais de tranquilidade — embora ainda prefira assistir às reprises em casa.
O motivo é simples: quando os dois irmãos disputam uma posição, existe um desejo acima de qualquer resultado.
“Como pai, você quer ver os dois bem, quer que os dois tenham sucesso e, acima de tudo, que terminem a corrida em segurança.”
Ao mesmo tempo, Daniel reconhece que a competição é parte essencial da trajetória dos filhos.
“Como alguém que conhece o esporte e entende a competitividade, sei que eles precisam disputar, se superar e buscar a vitória.”
No fim, separar o pai do apaixonado pelo esporte nem sempre é possível.
“Então, tento separar o pai do apaixonado por competição, mas não é tão simples assim. No fim das contas, quando são os seus filhos que estão ali, o coração sempre fala mais alto.”
Para Enzo e Valentino, a rivalidade pode até definir quem chega à frente na pista. Fora dela, entretanto, permanece aquilo que os dois carregam desde antes da bandeirada: a parceria, o respeito e uma trajetória que estão construindo juntos.


