Mauro Thomassini: experiência e adaptação em duas décadas de SuperBike
Mauro Thomassini,piloto que está no campeonato desde o início, destaca a evolução do nível dos competidores, a importância da preparação e a experiência adquirida ao longo de duas décadas nas pistas
Mauro Thomassini faz parte da história do SuperBike Brasil desde o início do campeonato. Aos 41 anos, o piloto segue encontrando na competição a motivação para continuar acelerando. Em 2026, portanto, ele tem um objetivo definido: buscar o título da SuperSport 600 EVO.
A longevidade no campeonato está diretamente ligada à relação construída com o ambiente das corridas. Para Mauro, o SuperBike Brasil se tornou uma espécie de casa. Além disso, o campeonato proporciona um cenário que exige preparação física e mental.
“Estou no Superbike Brasil desde seu início, me sinto em casa. O ambiente é muito agradável dentro e fora das pistas. Gosto desse ambiente de competição, envolve muito a parte mental e física, me motivando a continuar acelerando a cada ano que passa.”
Um campeonato cada vez mais competitivo
Ao longo dos anos, Mauro também acompanhou de perto a transformação do nível dos pilotos. Segundo ele, a popularização da motovelocidade contribuiu para uma preparação cada vez mais intensa entre os competidores.
Atualmente, os pilotos chegam às etapas com uma rotina de preparação muito mais estruturada. Treinos durante a semana, alimentação e preparo físico passaram a fazer parte da rotina de muitos competidores.
“O nível hoje está cada vez mais elevado, devido à motovelocidade estar cada vez mais popular, pilotos treinando mais, aprimorando os equipamentos. Está cada vez mais competitivo, ainda mais com a chegada de pilotos mais jovens.”
Para Mauro, essa é uma das principais diferenças em relação aos primeiros anos de sua trajetória. No passado, a preparação fora dos finais de semana de corrida não fazia parte da rotina da maioria dos pilotos com a mesma intensidade.
“Hoje em dia os pilotos se dedicam muito mais fora dos finais de semana de etapa. Treinos específicos durante a semana, alimentação, preparo físico. Antigamente não tinha toda essa dedicação da maioria dos pilotos.”
Experiência também exige adaptação
Com a evolução dos adversários, Mauro também precisou mudar a própria forma de se preparar. Quando começou a competir, o piloto admite que não dava a mesma importância ao preparo físico e à alimentação.
Hoje, aos 41 anos, essa realidade é diferente. Afinal, disputar espaço com pilotos mais jovens exige ainda mais atenção aos detalhes e uma preparação consistente.
“No começo não me importava muito com preparo físico e alimentação. Hoje com 41 anos e disputando com pilotos mais jovens, preciso me preparar melhor pra ser competitivo.”
Além da preparação física, a experiência também influencia a maneira como Mauro trabalha durante os finais de semana de corrida. A concentração em cada saída para a pista é parte da busca pelo equilíbrio entre piloto e equipamento.
“Procuro me concentrar mais durante o ‘fds‘ de corrida, a cada saída de treino, para poder encontrar o acerto ideal moto/piloto.”
Experiência para ler cada corrida
Depois de tantos anos competindo, Mauro também passou a enxergar as corridas de uma maneira diferente. Atualmente, aspectos como largada, gerenciamento de energia, leitura das ultrapassagens e avaliação dos próprios limites fazem parte da estratégia.
Além disso, a experiência acumulada permite compreender melhor quando é possível acompanhar um adversário. Da mesma forma, ajuda a reconhecer quando é necessário respeitar os próprios limites.
“Queria ter a cabeça de hoje a 20 anos atrás quando comecei. Uma boa largada, poupar energias, estudar ultrapassagens e saber o limite, se é possível acompanhar aquele piloto ou não.”
Ainda assim, a experiência não elimina um dos fatores mais imprevisíveis do esporte: o próprio dia de corrida.
“E claro, somos seres humanos, existem aqueles dias que não estamos 100%.”
Um dos períodos que mais marcou essa trajetória foi a temporada de 2016, quando Mauro competia na categoria 1000cc Pro. Naquela época, segundo ele, a disputa pelas primeiras posições era especialmente acirrada.
“Difícil falar em apenas 1 piloto naquela época, mas para estar nos top 10 era muito disputado.”
Regularidade como caminho para o título
Na SuperSport 600 EVO, Mauro encontra nos pilotos mais rápidos da categoria Pro uma referência para continuar evoluindo. Ao mesmo tempo, sabe que a regularidade será fundamental para transformar bons desempenhos em uma campanha pelo campeonato.
Por isso, a estratégia passa por observar os pilotos mais rápidos, independentemente da diferença de idade, e buscar pontuar em todas as corridas.
“Usar como referência os pilotos rápidos da Pro, que na maioria são bem mais jovens. E nas corridas sempre pontuar, para poder ficar entre os primeiros da Evo e buscar o título 2026!”
Além disso, Mauro destaca a importância de evitar quedas para preservar a confiança e manter a regularidade ao longo da temporada.
“Acredito que poucas quedas ajudam bastante, para manter a confiança e pontuar em todas as corridas.”
O aprendizado que permanece
Mais do que velocidade e resultados, duas décadas de competição também deixaram aprendizados que ultrapassam as pistas. Para Mauro, perseverança, dedicação e capacidade de lidar com os altos e baixos são fundamentais para quem escolhe a motovelocidade.
Além disso, a experiência nas corridas contribuiu para a construção de hábitos que, segundo o piloto, também fazem diferença fora das pistas.
“Perseverança, dedicação, saber lidar com altos e baixos durante um final de semana de corrida. É um esporte que mexe muito com o psicológico. Ensina a criar hábitos saudáveis e a nunca desistir dos seus objetivos.”
Essa relação com o esporte ajuda, portanto, a explicar por que, mesmo depois de tantos anos, a vontade de competir permanece.
“Me faz sentir mais vivo”
Para Mauro, a motivação vai além da busca por resultados. A combinação entre competição, adrenalina e o desafio inerente à motovelocidade continua sendo parte essencial da sua relação com as pistas.
“A motovelocidade, a competição, a adrenalina, o risco que todos nos sabemos que existe, me fazem sentir mais vivo.”
Depois de cada etapa, essa sensação permanece mesmo quando o capacete é guardado. Mais do que isso, o piloto afirma que as corridas também têm um impacto positivo em sua rotina.
“Sempre saio mais leve depois de um final de semana de corrida, me faz muito bem!”
Por fim, toda essa experiência tem um objetivo concreto para 2026. Depois de acompanhar a evolução do campeonato desde o início e atravessar diferentes gerações de pilotos, Mauro Thomassini quer transformar sua experiência em uma nova conquista: o título da SuperSport 600 EVO.