Aos 45 anos, Jon Jones Sarmento vive uma das fases mais importantes de sua trajetória no motociclismo. Carioca de nascimento e pernambucano de coração, o piloto encontrou nas pistas uma nova forma de canalizar uma paixão por velocidade que o acompanha desde a infância.
Atualmente na disputa pelo título da Supersport 400 Master, Jon Jones vem se destacando pela regularidade na temporada. Em quatro etapas disputadas, o piloto esteve no pódio em todas, com quatro segundos lugares, e ainda conquistou a pole position na 4ª etapa, estabelecendo também o recorde da categoria na pista, com a marca de 1min53s00.
Mas o caminho até chegar ao grid do Superbike foi longo e começou muito antes das competições. Desde pequeno, Jon sempre esteve envolvido com esportes radicais. Skate, bicicross, patinete e bicicleta fizeram parte da infância e adolescência, período em que também passou a explorar as ruas do Recife sobre duas rodas.
A relação com as motocicletas começou por necessidade. Aos 23 anos, após o nascimento da filha, comprou sua primeira moto e passou a trabalhar como mototáxi e entregador. A motocicleta esteve presente durante uma fase importante de sua vida, inclusive ajudando a conciliar o trabalho com a faculdade.
Anos depois, já morando em São Paulo, a paixão pela velocidade ganhou novos contornos. Depois de adquirir uma XJ6, Jon começou a participar de viagens e encontros de motociclistas, mas percebeu que queria explorar os limites da pilotagem de uma maneira mais segura.
A decisão veio após perder um amigo em um acidente de rua, em 2021.
“Foi quando percebi que andar esportivamente de moto em rodovia não fazia sentido nenhum. Foi quando decidi comprar uma moto exclusivamente de pista.”
A estreia nas pistas, porém, veio acompanhada de uma importante lição. Com uma BMW S1000, Jon sofreu uma forte queda que o deixou desacordado por alguns minutos. O episódio fez com que buscasse conhecimento técnico e realizasse um curso de pilotagem esportiva, iniciando uma nova etapa de sua relação com as motos.
Do medo às disputas no Superbike
Em 2023, Jon entrou para o Superbike na categoria Escola, com uma Ninja 400. A estreia em Interlagos mostrou o tamanho do desafio que tinha pela frente. Sem experiência em competição e ainda sem sequer raspar o joelho direito no asfalto, o piloto terminou sua primeira corrida distante dos primeiros colocados.

O cenário, no entanto, mudou rapidamente.
Com treinamento, evolução física, alimentação e principalmente a busca constante por conhecimento, Jon passou a reduzir seus tempos e se aproximar dos pilotos mais experientes. O trabalho com equipe e a utilização da telemetria também tiveram papel importante nesse processo.
“Com o passar das etapas, treinando, me alimentando melhor, fui evoluindo e logo baixei meus tempos, andando com pilotos mais rápidos e experientes, sempre buscando pegar dicas.”
Na sexta etapa daquele ano, em Cascavel, uma queda acabou interrompendo sua evolução e o tirou da disputa pelo título. A lesão no ombro encerrou sua temporada com a quarta colocação no campeonato.
Mesmo afastado das competições, Jon não deixou de treinar. Seguiu frequentando circuitos fechados e trabalhando para evoluir, mantendo vivo o objetivo de retornar ao grid.
Retorno com regularidade e recorde
A volta aconteceu em 2026 e, desde o início da temporada, Jon mostrou que o período longe das competições não apagou sua evolução.
Na Supersport 400 Master, o piloto vem construindo uma campanha baseada na regularidade. Quatro etapas, quatro segundos lugares e uma pole position colocam Jon entre os principais candidatos ao título.
O desempenho também ganhou um capítulo especial na 4ª etapa, quando o piloto estabeleceu o recorde da Supersport 400 Master, com 1min53s00. Além disso, Jon destaca a experiência de dividir a pista com pilotos da categoria PRO como parte fundamental de seu desenvolvimento.
“Neste momento estamos brigando ali pelo título da SSP 400 Master, andando com os meninos da PRO, sempre baixando os tempos a cada etapa.”
Mais do que os resultados, a evolução dos tempos representa para Jon a confirmação de que o trabalho realizado ao longo dos últimos anos vem dando resultado. O piloto segue buscando melhorar a cada volta e aproveitar a experiência proporcionada pelo grid do Superbike.
Aos 45 anos, sua trajetória mostra que a velocidade não tem idade e que a evolução pode acontecer em diferentes momentos da vida. Do primeiro contato com uma moto por necessidade até a disputa por um campeonato nacional, Jon Jones transformou uma paixão antiga em um projeto esportivo.
Agora, o objetivo é seguir avançando na disputa pelo título e aproveitar cada etapa para continuar evoluindo.
“Sempre buscando evoluir, e querendo voltar a competir, o que aconteceu nesse ano de 2026. Estamos confiando e evoluindo a cada marcha. Deus seja louvado!”


