Enquanto Fany disputa a SuperSport 400, Nay compete na SuperSport 400 Escola e vive ao lado da filha uma trajetória marcada por paixão, dedicação e parceria
Para Fany, estar no grid da SuperSport 400 representa uma conquista construída com muito trabalho. Para Nay, acompanhar a filha na pista é a realização de uma trajetória que ajudou a construir ao longo dos anos. Agora, mãe e filha vivem uma experiência especial no SuperBike Brasil: competem no mesmo evento e compartilham a paixão pela motovelocidade.
Fany é atualmente a única mulher no grid da SuperSport 400. Além de buscar evolução a cada etapa, ela também vê sua presença na categoria como uma forma de mostrar que outras mulheres podem ocupar esse espaço.
“É uma honra e muita responsabilidade. Ver que todo o trabalho, treinos e dedicação para evoluir estão trazendo resultado, hoje poder andar no mesmo grid com os pilotos de ponta da categoria, ver traçado, pontos de frenagem, tudo ajuda ainda mais para evoluir. E motivar as mulheres que é possível estar junto, exige muito trabalho e dedicação também.”


Fany encontra motivação a cada etapa
A presença em um grid predominantemente masculino não diminui a motivação de Fany. Pelo contrário. A cada corrida e a cada resultado, a piloto encontra novos motivos para continuar buscando evolução.
Dentro da pista, ela encara os demais competidores de igual para igual e mantém o foco em alcançar resultados cada vez melhores.
“A cada corrida e a cada resultado só me motiva mais a estar ali, a melhorar cada vez mais para buscar o melhor resultado sempre, mesmo sendo uma categoria predominante masculina dentro da pista e de igual para igual.”
Além da própria trajetória, Fany também enxerga sua participação como uma oportunidade de incentivar outras mulheres a acreditarem que podem fazer parte desse ambiente.
Uma mãe que acompanhou cada passo
Antes de dividir o mesmo evento com a filha, Nay já acompanhava de perto sua trajetória no motociclismo. A relação com a carreira de Fany começou muito antes de as duas chegarem juntas ao campeonato.
Hoje, assistir à filha competindo ainda provoca tensão. Ao mesmo tempo, existe a confiança construída a partir de tudo que Nay acompanhou ao longo dessa caminhada.
“Eu sempre fui a maior fã dela… realmente fico com o coração na mão. Mas sei do que ela é capaz. Lutei muito por ela e pela carreira dela.”
Nay também destaca o quanto esteve presente na formação da filha como piloto, acompanhando diferentes campeonatos e experiências ao longo dos anos.
“Eu lutei demais. Levei ela pra todos campeonatos possíveis, vários países, pra ela evoluir.”
Por isso, ver Fany atualmente no grid da SuperSport 400 representa algo ainda maior para Nay.
“Quando vejo ela lá, é sensação de dever cumprido.”
Uma experiência que as duas jamais imaginaram
Agora, além de acompanhar a filha, Nay também está dentro da pista. Ela compete na SuperSport 400 Escola, enquanto Fany disputa a SuperSport 400.
Para as duas, dividir o mesmo evento é uma experiência que ganhou um significado especial justamente por ser algo que não estava nos planos.
“Surreal a experiência, jamais imaginei estar com ela ali.”
Ao mesmo tempo, estar no mesmo ambiente também trouxe para Nay uma percepção sobre a própria capacidade. A trajetória da filha, de certa forma, passou a inspirá-la dentro das pistas.
“E saber que assim como ela também sou capaz.”

Preparação, cuidado e segurança
A rotina das duas também envolve preparação antes de cada etapa. Fany destaca a importância do preparo físico, do estudo do circuito e da análise de corridas anteriores para identificar pontos que podem ser aprimorados.
Além disso, existe uma preocupação que vem antes de qualquer resultado: voltar para casa em segurança.
“Preparo físico é bem importante, sempre estudar a pista e vídeos da câmera, assistir as corridas passadas e ver se dá para melhorar em algum ponto. E antes de entrar na pista, independente de qualquer coisa, só termina a corrida porque a melhor volta é para casa. Segurança em primeiro lugar.”
Nesse processo, Nay também exerce um papel importante. Além de mãe, ela se tornou uma presença de apoio durante a rotina de Fany no motociclismo.
“Ela sempre me dá toques, me ajuda e tá sempre cuidando pra eu não me machucar.”
Para Fany, existe ainda uma espécie de ritual quando chega a hora de entrar na pista. Depois que a viseira baixa, a competição começa de igual para igual. Ainda assim, a preocupação de Nay permanece até a bandeirada.
“Eu sempre falo: baixou a viseira, é de igual para igual. Mas sempre tem aquela tensão até terminar a corrida e voltar em segurança.”
Entre o conselho de mãe e a liberdade para competir
A preocupação de Nay não significa, entretanto, tentar impedir que Fany enfrente os desafios das pistas. Pelo contrário, o principal conselho que a piloto recebe é justamente respeitar os próprios limites.
“Sempre falar que caso eu não me sinta bem ou segura, que eu não preciso fazer e nem colocar minha segurança em risco. Apenas fazer dentro das condições possíveis.”
Assim, o apoio da mãe também passa por respeitar as decisões da filha e ajudá-la a reconhecer quando uma situação oferece riscos que não precisam ser assumidos.
Uma corrida que ficou marcada pela chuva
Entre os momentos vividos juntas no campeonato, a segunda etapa da temporada ficou especialmente marcada para Fany. Durante a volta de apresentação, uma forte chuva atingiu o circuito e provocou uma queda.
Apesar do susto, a piloto conseguiu retornar aos boxes. Depois disso, largou do box e ainda conseguiu recuperar posições para completar a corrida.
O episódio mostrou, na prática, um dos desafios da motovelocidade: lidar com situações inesperadas e, ao mesmo tempo, preservar a segurança para continuar a disputa.
Mãe e filha unidas pela mesma paixão
A experiência de dividir o campeonato também ganha um significado especial por colocar duas mulheres juntas dentro de um ambiente ainda predominantemente masculino.
Para Fany, é algo que chama atenção e gera admiração. Para Nay, representa uma oportunidade de fortalecer ainda mais a presença feminina no motociclismo.
“É uma coisa que não se vê sempre, ainda mais pelo fato de ser mulher. Mas é gratificante ver a admiração das pessoas.”
Nay resume a experiência de maneira ainda mais direta:
“Únicas mulheres, mãe e filha. Juntas, unidas pela mesma paixão.”
Como em qualquer relação, a convivência também tem seus desafios. Existem divergências e momentos de conflito. No entanto, segundo Nay, a parceria permanece.
“Temos brigas, desavenças, mas no final somos uma pela outra sempre.”
E é justamente essa união que transforma a experiência das duas em algo que vai além das pistas. Enquanto Fany continua construindo seu espaço na SuperSport 400, Nay acompanha e também vive sua própria trajetória na SuperSport 400 Escola.
No fim, mãe e filha dividem muito mais do que um campeonato. Dividem a mesma paixão, o mesmo ambiente e uma trajetória que, dentro e fora das pistas, continua sendo construída juntas.


